Bellingham ou Pedri: quem é melhor? Veja os números

Bellingham ou Pedri: quem é melhor? Compare gols, assistências, passes, chances criadas e recuperações dos dois craques e descubra quem se destaca mais durante o jogo.

ANÁLISE

9/13/20269 min ler

Bellingham ou Pedri: quem é melhor? Veja os números
Bellingham ou Pedri: quem é melhor? Veja os números

A comparação entre Jude Bellingham e Pedri é uma das discussões mais interessantes do futebol atual. Enquanto um grupo de torcedores valoriza a capacidade do inglês de marcar gols e participar diretamente das jogadas ofensivas, outro destaca a influência de Pedri na construção, nos passes e na recuperação da posse.

Porém, comparar os dois exclusivamente pelos números pode levar a conclusões equivocadas. Afinal, embora atuem no meio-campo, Bellingham e Pedri desempenham funções bastante diferentes.

Para entender melhor essa diferença, uma análise baseada em dados do FootMob coloca lado a lado Bellingham, Pedri e Fermín , considerando três temporadas completas no Campeonato Espanhol. O objetivo é observar não apenas quem apresenta os melhores números, mas principalmente o que esses números revelam sobre o papel de cada jogador dentro de campo.

Bellingham está mais próximo de Fermín do que de Pedri em vários números

Quando são analisadas estatísticas como bolas recuperadas, chances criadas, passes, finalizações, gols esperados e assistências esperadas, Bellingham aparece frequentemente mais próximo de Fermín do que de Pedri.

Isso não significa que Bellingham e Fermín tenham exatamente o mesmo nível ou sejam jogadores idênticos. A questão está relacionada principalmente às características de cada um.

Bellingham e Fermín atuam com maior frequência em zonas próximas ao gol, enquanto Pedri participa muito mais da construção das jogadas desde posições mais recuadas.

Essa diferença de posicionamento influencia diretamente as estatísticas.

Recuperações de bola no terço final

Nas recuperações de bola no terço final, Bellingham apresentou um desempenho particularmente forte em sua primeira temporada no Real Madrid.

Na temporada 2023/24, o inglês recuperou mais bolas nessa região do campo, algo diretamente relacionado ao fato de atuar mais próximo dos atacantes e da área adversária.

Depois, esse número caiu bastante na temporada seguinte e voltou a melhorar posteriormente. A mudança está ligada também à chegada de Kylian Mbappé, que passou a ocupar uma posição mais avançada e fez com que Bellingham assumisse outras responsabilidades dentro do sistema do Real Madrid.

Pedri, por outro lado, apresentou números relativamente constantes.

Fermín teve uma evolução importante na temporada 2024/25, quando chegou a aproximadamente 1,4 recuperação de bola no terço final por 90 minutos.

Assim, nesse fundamento, Bellingham e Fermín aparecem mais próximos, especialmente pela tendência de ambos atuarem em zonas avançadas.

Pedri se destaca nas recuperações de bola em geral

Quando o levantamento considera todas as recuperações de posse, e não apenas aquelas realizadas no terço final, Pedri abre uma vantagem considerável.

Na última temporada analisada, Pedri registrou aproximadamente sete recuperações por 90 minutos, contra 4,9 de Bellingham e 4,1 de Fermín.

Na temporada 2024/25, Pedri chegou a cerca de 7,9 recuperações, enquanto Bellingham ficou em torno de 3,5 e Firmino em 4,8.

A diferença mostra claramente como Pedri participa mais da recuperação da bola em zonas de construção.

Bellingham e Fermín, por sua vez, aparecem mais associados à recuperação em regiões avançadas, algo coerente com as funções que desempenham.

Criação de grandes chances

Nas grandes chances criadas por 90 minutos, os números apresentam variações importantes.

Pedri teve uma temporada 2024/25 muito forte nesse quesito, enquanto Fermín se destacou bastante na temporada seguinte.

Bellingham, por sua vez, teve seu melhor desempenho nesse aspecto durante a primeira temporada no Real Madrid, quando atuava mais próximo dos atacantes.

Com a chegada de Mbappé, o inglês passou a desempenhar funções diferentes e deixou de estar constantemente próximo da área, o que contribuiu para uma queda na criação de grandes chances.

Na temporada mais recente analisada, Fermín chegou a aproximadamente 1,5 grande chance criada por 90 minutos, contra cerca de 0,8 de Pedri e 0,4 de Bellingham.

Pedri domina na criação de chances

Quando todas as chances criadas são contabilizadas, Pedri apresenta uma vantagem muito mais clara.

Na temporada 2024/25, o meio-campista do Barcelona registrou aproximadamente 70 chances criadas, enquanto Bellingham ficou em 42 e Fermín em 29.

A distância entre os números é significativa. Bellingham ficou apenas 13 chances acima de Fermín, mas 28 abaixo de Pedri.

Na temporada seguinte, o cenário voltou a mostrar a mesma tendência: Bellingham teve aproximadamente 36 chances criadas, muito próximo das 34 de Fermín, enquanto Pedri chegou a 63.

Portanto, nesse aspecto, os números reforçam a ideia de que Pedri exerce uma função muito mais relacionada à construção e à criação.

Passes certos: uma das maiores diferenças

A estatística de passes certos por 90 minutos é talvez uma das melhores maneiras de visualizar a diferença entre os perfis.

Bellingham aparece geralmente na faixa de 47 a 52 passes certos por jogo, enquanto Pedri, especialmente durante o período analisado sob Hansi Flick, chegou à casa dos 80.

Em uma das temporadas, Bellingham registrou aproximadamente 38,8 passes certos, contra 47,7 de Fermín e cerca de 74 de Pedri.

Na temporada seguinte, Bellingham ficou próximo dos 49 passes, enquanto Pedri voltou a superar os 80.

Ou seja, Bellingham está novamente muito mais próximo de Fermín do que de Pedri.

Isso não significa que Bellingham seja simplesmente um passador pior. Ele recebe e utiliza a bola em zonas diferentes, com responsabilidades diferentes. Pedri participa constantemente da circulação da posse e da preparação dos ataques, enquanto Bellingham tem uma presença muito maior nas zonas ofensivas.

Finalizações aproximam Bellingham e Fermín

Nas finalizações, a diferença de perfil fica ainda mais evidente.

Na primeira temporada analisada, Pedri registrou aproximadamente 0,9 chute por jogo, contra 2,4 de Bellingham e 3,2 de Fermín.

O padrão permaneceu bastante estável nas temporadas seguintes.

Pedri ficou próximo de 0,8 ou 0,9 finalização por jogo. Bellingham permaneceu na faixa de 2,2 a 2,4, enquanto Fermín oscilou entre aproximadamente 3,0 e 3,4.

Mais uma vez, Bellingham e Fermín aparecem próximos, enquanto Pedri fica consideravelmente atrás.

Chutes no alvo seguem a mesma tendência

A estatística de chutes no alvo apresenta um comportamento semelhante.

Pedri registrou aproximadamente 0,3 a 0,4 chute no alvo por jogo nas três temporadas.

Bellingham começou com 1,4, caiu para 0,8 após a chegada de Mbappé e voltou a subir para cerca de 1,2 na temporada seguinte.

Fermín manteve números próximos de 1,6, 1,2 e 1,3 nas três campanhas.

Portanto, também nesse quesito, Bellingham e Firmino permanecem próximos, enquanto Pedri apresenta números bem inferiores.

Gols e assistências esperadas ajudam a explicar o perfil ofensivo

Outra estatística importante utilizada na comparação é a de gols e assistências esperadas.

O conceito de gols esperados, ou XG, leva em consideração a qualidade das oportunidades. Um chute realizado de uma posição extremamente favorável terá uma probabilidade de gol muito maior do que uma finalização de longa distância.

O mesmo raciocínio vale para as assistências esperadas, ou XA. Um passe que deixa um companheiro em excelente condição para finalizar possui um valor muito maior do que uma bola que resulta em uma finalização de baixa probabilidade.

Nos números analisados, Pedri apresentou uma tendência de queda nas assistências esperadas, algo que pode ser relacionado ao fato de o espanhol participar cada vez mais da base das jogadas.

Bellingham ficou próximo de 0,58 a 0,60 em determinado período, enquanto Firmino apresentou números superiores em diferentes momentos.

Em uma das temporadas, Fermín chegou a aproximadamente 0,72 em gols e assistências esperadas, contra 0,58 de Bellingham e 0,35 de Pedri.

Mais uma vez, a estatística coloca Fermín e Bellingham próximos e Pedri mais distante.

Os números não determinam quem é o melhor jogador

Apesar de todas essas estatísticas, utilizar os dados para determinar simplesmente quem é melhor seria um erro.

É justamente nesse ponto que a comparação entre Bellingham e Pedri se torna mais interessante.

Pedri recupera mais bolas em determinadas zonas, participa mais da construção, dá muito mais passes e cria mais oportunidades. Bellingham, por outro lado, aparece mais perto do gol, finaliza mais e participa diretamente de mais ações ofensivas.

São funções diferentes.

É possível, por exemplo, preferir um meio-campista com maior capacidade de marcar gols. Mas, para que esses gols aconteçam, é necessário que alguém recupere a bola, construa a jogada, faça a circulação e coloque os atacantes em condições de finalizar.

Nesse sentido, as características de Pedri podem ser fundamentais para potencializar jogadores como Bellingham.

A comparação direta entre Bellingham e Fermín também traz uma surpresa

Existe ainda outro ponto importante na análise: se o debate for reduzido exclusivamente a gols e assistências, Fermín apresenta uma média surpreendentemente superior à de Bellingham.

Considerando os números pelo Real Madrid e pelo Barcelona, Bellingham soma 48 gols e 34 assistências em 145 jogos, totalizando 82 participações diretas em gols.

O inglês acumulou aproximadamente 11.582 minutos, o que representa uma participação em gol a cada 141 minutos.

Fermín, por sua vez, disputou quatro jogos a menos, mas possui números totais menores: 54 participações em gols no período considerado. Entretanto, também teve uma quantidade significativamente menor de minutos, com aproximadamente 7.295 minutos.

Sua média chega a uma participação em gol a cada 135 minutos, ligeiramente superior à de Bellingham.

Portanto, se o argumento utilizado para escolher Bellingham em relação a Pedri for simplesmente “ele faz mais gols e dá mais assistências”, seria necessário aplicar o mesmo critério na comparação seguinte.

E, nesse caso específico, Fermín leva vantagem na média de participações em gols.

Por que gols e assistências não contam toda a história?

Isso não significa que Fermín seja melhor jogador do que Bellingham.

Na avaliação geral, Bellingham pode perfeitamente ser considerado superior. O objetivo da comparação é justamente mostrar como os números podem produzir conclusões diferentes dependendo do critério escolhido.

Um zagueiro e um meio-campista, por exemplo, não podem ser avaliados apenas pela quantidade de gols. Da mesma forma, mesmo entre dois meio-campistas existem funções completamente diferentes.

Pedri e Bellingham são jogadores de elite, mas entregam coisas diferentes às suas equipes.

Se uma equipe precisa de um jogador responsável por iniciar as jogadas, controlar a posse e recuperar bolas, Pedri pode oferecer características que Bellingham não oferece da mesma maneira.

Se a necessidade é ter um jogador capaz de chegar à área, marcar gols, dar assistências e complementar os atacantes, Bellingham se torna uma opção extremamente valiosa.

Os números são importantes, mas assistir aos jogos continua sendo fundamental

A análise estatística mostra padrões que muitas vezes passam despercebidos durante uma partida.

Os números ajudam a entender volume, eficiência, frequência e participação dos jogadores. Porém, eles não conseguem representar completamente tudo o que acontece dentro de campo.

Por isso, analisar apenas estatísticas pode levar a conclusões curiosas: em determinados fundamentos, Fermín pode aparecer à frente de Bellingham; em outros, Pedri pode superar o inglês; e em alguns aspectos, Bellingham pode dominar os dois.

Isso não transforma automaticamente um jogador no melhor.

É necessário observar como os números são produzidos, em que zonas do campo o jogador atua e quais responsabilidades ele possui dentro do sistema da equipe.

Pedri, Bellingham e Fermín representam diferentes formas de excelência

A partir dos dados analisados, Pedri aparece como um dos jogadores mais diferenciados do mundo quando o assunto é recuperação, construção e criação a partir de zonas mais profundas.

Poucos jogadores possuem características semelhantes nesse nível. Nomes como Vitinha, Rodri e Kimmich também se destacam por exercer funções relacionadas à construção e ao controle do jogo.

Do outro lado, Bellingham e Fermín apresentam características mais próximas de jogadores que atuam entre o meio-campo e o ataque.

Eles podem funcionar como complementos para os grandes protagonistas ofensivos de suas equipes, contribuindo com gols, assistências, movimentação e presença perto da área.

No Real Madrid, Bellingham dividiu protagonismo ofensivo com jogadores como Vinícius Júnior e, posteriormente, Mbappé. No Barcelona, Fermín teve de conviver com a presença de outros protagonistas, como Lamine Yamal e Raphinha, além da contribuição de Ferran Torres.

Mesmo sem necessariamente ser a principal estrela da equipe, Fermín entregou 30 participações em gols na temporada passada, ficando atrás apenas de Lamine Yamal nos números ofensivos do Barcelona.

Bellingham x Pedri: a comparação continua aberta

A análise dos dados não deve encerrar o debate sobre quem é melhor entre Bellingham e Pedri. Na realidade, ela mostra por que essa discussão provavelmente continuará por muito tempo.

Se o critério principal for criação, passes e recuperação de bola, Pedri apresenta argumentos muito fortes.

Se o foco estiver em gols, assistências, finalizações e presença ofensiva, Bellingham ganha ainda mais destaque.

E se o recorte for exclusivamente a média de gols e assistências, os números apresentados colocam Fermín em uma posição surpreendentemente favorável em relação a Bellingham.

Por isso, ao discutir quem é melhor, é fundamental considerar o que cada jogador faz dentro de campo. Um trabalha mais próximo dos zagueiros e participa da construção das jogadas; o outro atua mais perto dos atacantes e contribui diretamente para a conclusão das ações ofensivas.

No fim, os números são uma ferramenta poderosa para compreender o futebol, mas precisam ser interpretados dentro do contexto das partidas, das posições e das funções exercidas por cada jogador.