Kylian Mbappé precisa melhorar defensivamente? Veja os números

Kylian Mbappé admite que precisa melhorar defensivamente. Veja os números do atacante e entenda seu real impacto em campo no Real Madrid e na Liga dos Campeões.

ANÁLISE

9/8/20269 min ler

Kylian Mbappé precisa melhorar defensivamente? Veja os números
Kylian Mbappé precisa melhorar defensivamente? Veja os números

Kylian Mbappé continua sendo um dos maiores goleadores do futebol mundial, mas seu trabalho defensivo voltou a gerar debate antes do início da Liga dos Campeões. O atacante do Real Madrid reconheceu que precisa melhorar nesse aspecto, mas também defendeu sua contribuição ofensiva e destacou aquilo que consegue fazer dentro de campo.

A discussão ganhou força porque, apesar dos mais de 40 gols marcados por temporada, alguns números coletivos mostram uma realidade mais complexa no Real Madrid. A equipe passou a marcar menos gols e a sofrer mais desde a chegada do francês.

Mas será que isso significa que Mbappé prejudica o Real Madrid? A resposta não é tão simples.

Kylian Mbappé admite que precisa melhorar defensivamente

Durante entrevista coletiva antes do confronto entre Real Madrid e Inter de Milão pela Liga dos Campeões, Kylian Mbappé foi questionado sobre seu desempenho defensivo e sobre a necessidade de melhorar a pressão exercida sobre os adversários.

O francês reconheceu que precisa evoluir nesse aspecto, mas também respondeu de maneira bastante direta às comparações com outros grandes atacantes.

Mbappé destacou sua produção ofensiva e lembrou que possui características diferentes de jogadores como Raphinha e Ousmane Dembélé.

A declaração chamou atenção porque mostra a personalidade do atacante. Ao mesmo tempo em que admite uma necessidade de evolução, Mbappé não aceita que sua avaliação seja feita exclusivamente pela quantidade de trabalho defensivo.

E existe um ponto importante nessa discussão: gols e assistências são muito mais fáceis de medir do que o impacto defensivo de um atacante.

Por que o trabalho defensivo de Mbappé é importante?

No futebol atual, avaliar um atacante apenas pelos gols e assistências pode ser insuficiente.

Um jogador pode pressionar corretamente um zagueiro, fechar uma linha de passe ou obrigar o adversário a fazer um lançamento longo sem que nenhuma dessas ações apareça diretamente na estatística de gols.

O contrário também acontece.

Uma pressão mal executada pode permitir que um defensor encontre espaço para avançar ou realizar um lançamento perigoso. O problema é que é muito mais difícil medir esse tipo de erro do que contar gols.

Por isso, o trabalho defensivo de Kylian Mbappé no Real Madrid merece uma análise mais ampla.

Mbappé aparece entre os jogadores com menos ações defensivas

Dados citados na análise mostram que o francês apresenta números baixos em ações defensivas.

Um levantamento do FotMob envolvendo jogadores das principais ligas mundiais apontou Mbappé entre aqueles com menor número de ações defensivas por partida.

A estatística considera ações como:

  • chutes bloqueados;

  • disputas;

  • bolas recuperadas;

  • rebatidas;

  • interceptações;

  • cortes.

Em uma base com mais de 5 mil jogadores, Mbappé apareceu como o segundo atleta com menos ações defensivas por jogo.

Outro estudo, realizado pelo CIES em 2024, também indicava uma baixa intensidade defensiva do atacante quando ele ainda defendia o Paris Saint-Germain.

O levantamento levou em consideração fatores como distância percorrida em alta velocidade durante a fase defensiva e quantidade de pressões exercidas sobre os adversários.

Mbappé apareceu entre os piores índices da comparação.

Isso significa que a questão não surgiu apenas depois de sua chegada ao Real Madrid. A baixa participação defensiva já era uma característica identificada anteriormente em seu jogo.

Um exemplo de pressão mal executada por Mbappé

Um dos exemplos utilizados para explicar a importância desse aspecto aconteceu na Liga dos Campeões de 2023/24, em um confronto envolvendo Borussia Dortmund e PSG.

O zagueiro Nico Schlotterbeck tinha capacidade para realizar lançamentos longos e essa característica fazia parte da estratégia do Dortmund.

Em determinado momento, Mbappé tentou pressionar, mas chegou atrasado e não conseguiu impedir a ação do defensor.

Schlotterbeck conseguiu executar o lançamento, e a jogada acabou originando uma oportunidade decisiva para o Borussia Dortmund.

O exemplo demonstra como uma pequena falha na pressão de um atacante pode influenciar uma jogada ofensiva do adversário.

É justamente por isso que o trabalho defensivo não pode ser analisado apenas através de gols e assistências.

Os números ofensivos de Mbappé são impressionantes

Apesar das críticas, existe algo que não pode ser ignorado: Kylian Mbappé marca muitos gols.

Sua produção ofensiva nas últimas temporadas está entre as melhores do futebol mundial.

Na temporada 2023/24, pelo Paris Saint-Germain, o atacante marcou:

44 gols e 10 assistências em 48 jogos.

Na temporada 2024/25, já pelo Real Madrid, foram:

44 gols e 5 assistências em 59 jogos.

Na temporada seguinte, os números apresentados apontam:

42 gols e 6 assistências em 44 partidas.

São números extraordinários.

Portanto, não faz sentido argumentar que Mbappé deveria diminuir sua produção ofensiva para se dedicar exclusivamente ao trabalho defensivo.

O Real Madrid precisa dos gols do francês.

A questão é encontrar uma maneira de combinar essa capacidade de finalização com uma participação coletiva maior.

O problema está na concentração de gols

Uma das principais questões levantadas na análise é a diferença entre concentrar gols e aumentar a produção ofensiva coletiva.

Mbappé pode marcar 40 ou 50 gols em uma temporada sem que o Real Madrid necessariamente marque muito mais gols como equipe.

Isso acontece porque os gols podem simplesmente se concentrar em um jogador.

Ao mesmo tempo, outros atletas podem diminuir sua participação ofensiva.

Jude Bellingham, por exemplo, teve redução em sua produção de gols após a chegada de Mbappé. Rodrygo também passou a marcar menos.

No caso de Vinícius Júnior, a situação é diferente, já que o brasileiro teve uma temporada anterior bastante produtiva.

Por isso, o debate não deve ser simplesmente:

“Mbappé marcou 44 gols?”

A pergunta mais importante é:

“O Real Madrid passou a marcar mais gols como equipe depois da chegada de Mbappé?”

Os números apresentados levantam dúvidas sobre isso.

PSG manteve seu poder ofensivo sem Mbappé

A comparação com o Paris Saint-Germain também é importante.

Na temporada 2023/24, com Mbappé, o PSG apresentou média de aproximadamente 2,34 gols por partida e sofreu 0,98 gol por jogo.

Na temporada seguinte, sem o atacante francês, a média ofensiva passou para aproximadamente 2,38 gols por partida.

A diferença é pequena, mas mostra que a saída de Mbappé não provocou uma queda significativa na produção ofensiva do clube francês.

Além disso, o PSG sofreu menos gols, passando de aproximadamente 0,98 para 0,91 gol por partida.

Isso não significa que a saída de Mbappé tenha sido a causa direta da melhora defensiva do PSG. Mudanças de jogadores, treinador, sistema tático e contexto da temporada também influenciam os números.

Ainda assim, a comparação mostra que uma equipe pode perder um atacante de mais de 40 gols e manter uma produção ofensiva semelhante.

Real Madrid marcou menos gols depois da chegada de Mbappé

Quando analisamos o Real Madrid, a situação chama ainda mais atenção.

Na temporada 2023/24, antes da chegada de Mbappé, o clube tinha média de:

2,35 gols marcados por jogo.

Nas temporadas seguintes, os números apresentados foram:

  • 2024/25: 2,18 gols por jogo;

  • 2025/26: 2,13 gols por jogo.

Ou seja, houve uma queda de aproximadamente 0,2 gol por partida.

Ao mesmo tempo, a média de gols sofridos aumentou:

  • 2023/24: 0,91;

  • 2024/25: 1,24;

  • 2025/26: 1,14.

Isso significa que o Real Madrid marcou menos e sofreu mais nas duas temporadas posteriores à chegada de Mbappé.

Novamente, isso não permite responsabilizar exclusivamente Mbappé pelos números.

Entretanto, é um indicador importante para discutir o impacto coletivo do atacante.

O Real Madrid pode ficar dependente de Mbappé?

Um dos riscos apontados é a dependência ofensiva.

Quando uma equipe passa a esperar que determinado jogador resolva grande parte das partidas, existe a possibilidade de o sistema ofensivo ficar menos diversificado.

Se Mbappé estiver em grande fase, o problema praticamente desaparece.

Mas, quando ele não consegue produzir, o time pode encontrar mais dificuldades para criar alternativas.

Essa dependência pode explicar por que o trabalho coletivo precisa ser analisado além das estatísticas individuais.

As melhores atuações do Real Madrid aconteceram sem Mbappé?

Outro ponto interessante da análise envolve os confrontos contra o Manchester City.

O Real Madrid teve algumas de suas melhores atuações na temporada em partidas nas quais Mbappé não estava disponível.

Em um dos confrontos, o clube espanhol venceu o Manchester City por 3 a 0, com Federico Valverde entre os protagonistas.

Em outro jogo, Vinícius Júnior foi decisivo ao marcar os gols do Real Madrid.

Mbappé não participou desses dois confrontos por estar lesionado.

Isso não significa que o Real Madrid seja melhor sem o francês. Dois jogos não são suficientes para chegar a essa conclusão.

Mas os resultados mostram que a equipe possui capacidade para produzir grandes atuações mesmo quando seu principal goleador não está em campo.

A idade de Mbappé também pesa na discussão

Existe outro fator importante: a idade.

Mbappé tem 27 anos, portanto ainda está em uma fase da carreira na qual pode evoluir tecnicamente, taticamente e fisicamente.

A comparação com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo em fases mais avançadas das respectivas carreiras é diferente.

Jogadores veteranos podem reduzir sua participação defensiva e continuar sendo decisivos graças à experiência e à capacidade de marcar gols.

Mbappé, por outro lado, ainda tem condições de acrescentar novas características ao seu jogo.

A pressão defensiva pode ser uma delas.

O futebol moderno valoriza atacantes que pressionam

O futebol atual está cada vez mais exigente em relação ao comportamento dos atacantes sem a bola.

Treinadores procuram jogadores que consigam:

  • pressionar zagueiros;

  • fechar linhas de passe;

  • recuperar bolas no campo ofensivo;

  • reduzir o tempo de construção do adversário;

  • ajudar a equipe a manter o bloco compacto;

  • iniciar ataques após recuperações de bola.

O atacante deixou de ser apenas o jogador responsável pela finalização.

Ele também participa da primeira linha defensiva.

Ferran Torres e a importância da pressão

Um exemplo citado na análise é Ferran Torres no Barcelona.

O espanhol teria conquistado mais espaço em determinados momentos justamente por sua capacidade de pressionar.

Essa característica permite que outros jogadores ofensivos não precisem compensar constantemente um atacante que participa pouco da fase defensiva.

É uma questão de equilíbrio.

Um atacante pode não marcar tantos gols quanto outro, mas contribuir para que a equipe recupere mais bolas e tenha mais posse em zonas perigosas.

Gordon x Rashford mostra que gols não são tudo

Outro exemplo envolve Anthony Gordon e Marcus Rashford.

Rashford havia produzido 14 gols e 11 assistências na temporada anterior, números excelentes para um jogador que poderia atuar como reserva.

Mesmo assim, a capacidade defensiva de Gordon e sua participação na pressão são fatores importantes para explicar a preferência por seu perfil.

Isso demonstra uma tendência do futebol atual: o valor de um atacante não é determinado apenas pelos gols e assistências.

O comportamento sem a bola também pode influenciar diretamente as escolhas dos treinadores.

Por que o PSG aposta em atacantes com maior intensidade?

O Paris Saint-Germain também passou a utilizar jogadores capazes de exercer pressão de maneira mais intensa.

Jogadores como Désiré Doué e Ousmane Dembélé se encaixam em uma proposta na qual os atacantes participam ativamente da recuperação da bola.

A lógica é simples.

Se os atacantes pressionam corretamente, o adversário pode ser obrigado a fazer um lançamento longo.

Quando a defesa está preparada para esse tipo de bola, a equipe pode recuperar rapidamente a posse e iniciar um novo ataque.

O resultado é um ciclo de pressão e recuperação:

pressionar → recuperar → atacar → perder a bola → pressionar novamente.

Esse comportamento pode aumentar o volume ofensivo da equipe ao longo dos 90 minutos.

O trabalho defensivo de Mbappé pode ser decisivo no Real Madrid

É nesse ponto que a discussão sobre Kylian Mbappé se torna mais relevante.

O francês não precisa deixar de ser o principal goleador do Real Madrid.

Também não é necessário transformá-lo em um atacante cuja principal função seja defender.

Mas aumentar sua participação na pressão pode ajudar o Real Madrid a recuperar mais bolas, sofrer menos ataques e manter o adversário sob pressão.

Em uma competição como a Liga dos Campeões, pequenos detalhes podem definir uma eliminatória.

Uma pressão bem executada pode resultar em um gol.

Uma pressão mal executada também pode resultar em um gol — mas do adversário.

Mbappé está certo, mas também precisa evoluir

A declaração de Mbappé pode ser considerada verdadeira por dois lados.

Ele realmente faz coisas que outros atacantes não fazem.

Sua capacidade de marcar gols é extraordinária e representa uma vantagem enorme para o Real Madrid.

Ao mesmo tempo, Mbappé precisa melhorar seu trabalho defensivo.

As duas afirmações podem coexistir.

Não é necessário diminuir o valor dos seus gols para reconhecer que sua participação sem a bola ainda pode evoluir.

O desafio para o Real Madrid é fazer com que o atacante consiga manter sua produção ofensiva enquanto aumenta sua contribuição coletiva.

Conclusão: o desafio de Mbappé no Real Madrid

Kylian Mbappé já provou que consegue marcar gols em quantidade extraordinária. Os números individuais colocam o francês entre os principais atacantes do mundo.

Mas o futebol não é decidido apenas por estatísticas individuais.

O Real Madrid precisa de um Mbappé capaz de decidir jogos, mas também de participar mais intensamente do funcionamento coletivo da equipe.

Os números comparativos entre Real Madrid e PSG não provam que o francês seja responsável sozinho pelas mudanças nas equipes. Porém, levantam uma discussão legítima sobre concentração de gols, pressão defensiva e equilíbrio coletivo.

A evolução de Mbappé nesse aspecto pode ser especialmente importante para o Real Madrid na Liga dos Campeões.

Se o atacante conseguir acrescentar maior intensidade defensiva à sua já extraordinária capacidade de finalização, o clube espanhol poderá ganhar uma arma adicional para competir no mais alto nível europeu.

Mbappé não precisa marcar menos. O desafio é conseguir fazer ainda mais pelo Real Madrid quando a equipe não tem a bola.