Manchester City: 115 acusações, decisão da Premier League e punições

Manchester City enfrenta 115 acusações da Premier League. Entenda a decisão, o Fair Play Financeiro, possíveis punições e o recurso do clube inglês em 2026.

ANÁLISEMANCHESTER CITY

9/30/20267 min ler

Manchester City: 115 acusações, decisão da Premier League e punições
Manchester City: 115 acusações, decisão da Premier League e punições

O Manchester City entrou em uma nova fase de um dos processos mais importantes de sua história. Em 29 de setembro de 2026, a Premier League divulgou a decisão da Comissão Independente responsável por analisar as acusações financeiras contra o clube.

O processo envolve 115 acusações, relacionadas principalmente a informações financeiras, pagamentos a jogadores e treinadores, regras de Fair Play Financeiro da UEFA, regras de lucratividade e sustentabilidade da Premier League e cooperação com a investigação.

Segundo a decisão divulgada, 114 das 115 acusações foram consideradas provadas, enquanto uma acusação relacionada à cooperação não teria sido provada.

O Manchester City contesta as conclusões e já confirmou que pretende recorrer.

O que são as 115 acusações contra o Manchester City?

As acusações apresentadas pela Premier League estão divididas em diferentes categorias e abrangem períodos entre 2009 e 2018, além das alegações relacionadas à cooperação durante a investigação.

De acordo com a decisão publicada em versão editada, as acusações estão distribuídas da seguinte forma:

  • 54 acusações relacionadas a informações financeiras incorretas ou incompletas entre 2009 e 2018;

  • 14 acusações relacionadas a informações sobre pagamentos de jogadores e treinadores entre 2009 e 2018;

  • 5 acusações relacionadas às regras de Fair Play Financeiro da UEFA entre 2013 e 2018;

  • 7 acusações relacionadas às regras de lucratividade e sustentabilidade da Premier League entre 2015 e 2018;

  • 35 acusações relacionadas à suposta falta de cooperação com a investigação.

A soma desses grupos corresponde às 115 acusações apresentadas no processo.

A documentação publicada pela Premier League possui partes editadas e informações ocultadas por questões de confidencialidade. Por isso, nem todos os detalhes individuais das acusações estão disponíveis publicamente.

Como começou o caso do Manchester City?

A história remonta à aquisição do Manchester City em 2008 pelo Abu Dhabi United Group Investment and Development Limited.

Em 2011, a UEFA criou o sistema de Fair Play Financeiro, estabelecendo regras destinadas a aumentar a sustentabilidade financeira dos clubes e limitar gastos incompatíveis com suas receitas.

A partir desse princípio, tornou-se fundamental determinar quais valores representam receitas efetivamente geradas pelo clube e quais recursos estão relacionados diretamente ao proprietário ou a entidades associadas.

Essa questão está no centro de boa parte das acusações contra o Manchester City.

O papel do Football Leaks e dos documentos vazados

Em 2015, o Football Leaks passou a divulgar documentos relacionados ao futebol europeu. Posteriormente, em 2018, documentos relacionados ao Manchester City foram publicados pela revista alemã Der Spiegel.

Esses documentos continham e-mails e outras comunicações que passaram a ser utilizados em reportagens sobre as finanças do clube.

É importante destacar que esses documentos tiveram origem em vazamentos e não constituem, por si só, decisões oficiais da Premier League ou da UEFA.

Em 2019, a UEFA abriu uma investigação relacionada às informações divulgadas.

A investigação da UEFA e o Tribunal Arbitral do Esporte

Em 2020, a UEFA aplicou uma punição ao Manchester City por supostas violações das regras de Fair Play Financeiro.

O clube recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), que posteriormente derrubou a sanção.

A decisão do tribunal não significou uma declaração geral de inocência sobre todas as questões discutidas. O entendimento esteve relacionado, entre outros pontos, à insuficiência de provas para estabelecer determinados fatos alegados pela UEFA.

Enquanto isso, a Premier League iniciou sua própria investigação.

Quando começaram as 115 acusações da Premier League?

A investigação da Premier League contra o Manchester City começou em 2021.

Em 2023, a Liga apresentou formalmente as 115 acusações.

As audiências perante a Comissão Independente ocorreram entre 2024 e 2025.

Finalmente, em 29 de setembro de 2026, foi divulgada a decisão da Comissão Independente.

O Manchester City agora tem até 2 de outubro de 2026 para recorrer.

Qual é a principal acusação contra o Manchester City?

Um dos principais pontos do processo é a alegação de que o Manchester City teria apresentado determinadas informações financeiras de maneira diferente da realidade.

Segundo as conclusões da investigação, o clube teria utilizado estruturas e acordos que permitiriam apresentar receitas maiores ou custos menores do que aqueles que realmente existiriam.

A questão central está relacionada à diferença entre recursos gerados pelo próprio clube e dinheiro disponibilizado por seu proprietário ou por entidades associadas.

Fair Play Financeiro: por que a origem do dinheiro é tão importante?

O Fair Play Financeiro parte de uma ideia relativamente simples: os clubes precisam demonstrar sustentabilidade financeira e não podem simplesmente aumentar seus gastos sem considerar suas receitas e os limites estabelecidos pelos regulamentos.

Por isso, a origem dos recursos é fundamental.

Um proprietário pode realizar operações financeiras com o clube, incluindo empréstimos, mas essas transações precisam obedecer às regras aplicáveis.

Em 2024, a Premier League alterou regras relacionadas às chamadas transações com partes associadas, incluindo critérios de valor justo de mercado.

O objetivo dessas regras é evitar que relações entre clubes e seus proprietários sejam utilizadas para apresentar artificialmente receitas ou vantagens financeiras.

O caso Roberto Mancini

Um dos episódios frequentemente associados às discussões sobre as finanças do Manchester City envolve o treinador Roberto Mancini, que comandou o clube entre 2009 e 2013.

Segundo informações anteriormente divulgadas pela imprensa com base em documentos vazados, Mancini teria recebido aproximadamente £1,45 milhão por temporada do Manchester City.

Paralelamente, teria existido um contrato de consultoria relacionado ao Al Jazira, clube dos Emirados Árabes Unidos também ligado ao proprietário do Manchester City.

O contrato teria previsto aproximadamente £1,75 milhão por ano por uma atividade de consultoria de pelo menos quatro dias anuais.

Esse episódio foi citado em reportagens como parte das questões relacionadas às estruturas financeiras do clube.

Direitos de imagem também aparecem no processo

Outro ponto analisado envolve os direitos de imagem dos jogadores.

Segundo as conclusões apresentadas pela Comissão, teria existido um acordo considerado fraudulento envolvendo a Fordham, entidade que teria adquirido direitos de imagem de jogadores do Manchester City.

A investigação também apontou uma relação financeira da entidade com o Abu Dhabi Group.

A acusação é de que determinados acordos poderiam ter permitido ao clube registrar despesas operacionais menores do que as que realmente existiam.

Manchester City poderia ter ultrapassado os limites financeiros

De acordo com as conclusões divulgadas pela Comissão Independente, se todos os contratos e acordos tivessem sido registrados corretamente, o Manchester City teria ultrapassado de maneira substancial determinados limites de gastos estabelecidos pelas regras da Premier League e da UEFA.

Essa conclusão é uma das partes mais importantes do processo, pois relaciona diretamente as alegações sobre contratos e informações financeiras com as regras de sustentabilidade utilizadas pelas competições.

Quais punições o Manchester City pode enfrentar?

O caso agora entra em uma nova etapa: a definição das possíveis consequências caso as conclusões sejam mantidas após os recursos.

As regras disciplinares da Premier League permitem diferentes tipos de sanção.

Multa financeira

Uma das possibilidades é uma multa.

O valor de uma eventual penalidade dependeria da decisão disciplinar e das circunstâncias consideradas no processo.

Dedução de pontos

Outra possibilidade é a dedução de pontos.

Uma punição desse tipo poderia afetar diretamente a classificação do Manchester City na Premier League e também sua eventual participação em competições europeias.

Dependendo da decisão, a dedução poderia estar relacionada a uma temporada específica ou produzir consequências em períodos posteriores.

Outras sanções esportivas

O regulamento também contempla possibilidades de sanções esportivas mais severas.

Entre as medidas discutidas publicamente estão a retirada de títulos, o rebaixamento e até a expulsão da competição.

Entretanto, a existência dessas possibilidades no regulamento não significa que elas serão necessariamente aplicadas.

Como o processo possui características sem precedentes em sua dimensão, a punição final dependerá das decisões tomadas nas próximas etapas.

Manchester City contesta a decisão da Comissão Independente

Após a divulgação da decisão, o Manchester City afirmou estar desapontado e surpreso com as conclusões apresentadas.

O clube declarou-se inocente das acusações e afirmou possuir um conjunto abrangente de provas que, segundo sua própria posição, sustenta seus argumentos no processo.

O Manchester City também afirmou que utilizará todas as vias legais e regulatórias disponíveis para contestar a decisão.

O clube argumenta ainda que a decisão contém, segundo sua interpretação, erros materiais de direito, princípio e fato.

Ferran Soriano fala sobre o processo

O CEO do Manchester City, Ferran Soriano, também se manifestou após a divulgação da decisão.

Em declaração à imprensa, Soriano questionou o processo e utilizou a expressão “teoria da conspiração” ao falar sobre o que considera uma sequência de acontecimentos contra o clube.

O dirigente também questionou a origem e a veracidade de determinados documentos vazados utilizados ao longo da discussão pública sobre o caso.

Segundo Soriano, o processo já se estende por aproximadamente oito anos e ainda deverá continuar por mais algum tempo.

Manchester City tem até 2 de outubro para recorrer

O prazo atual para o clube apresentar formalmente seu recurso termina em 2 de outubro de 2026.

O Manchester City já indicou que pretende recorrer das conclusões consideradas desfavoráveis.

A decisão da Comissão Independente, portanto, não encerra automaticamente o processo.

A partir do recurso, novas análises deverão ocorrer antes que sejam determinadas as consequências definitivas para o clube.

O que acontece agora com o Manchester City?

O caso entra agora em uma fase decisiva.

A Comissão Independente apresentou suas conclusões, a Premier League divulgou oficialmente o resultado e o Manchester City declarou que irá contestá-lo.

As próximas etapas deverão determinar quais conclusões serão mantidas após o recurso e se o clube sofrerá alguma penalidade financeira ou esportiva.

Por enquanto, o principal ponto confirmado é que a disputa ainda não terminou. O Manchester City tem até 2 de outubro para apresentar seu recurso, enquanto o processo disciplinar e regulatório continuará seguindo seus procedimentos.

A dimensão das possíveis consequências dependerá das decisões que ainda serão tomadas nas próximas fases do caso.