Manchester City após Guardiola: os desafios de Maresca
Manchester City inicia uma nova era sem Pep Guardiola. Veja os desafios de Enzo Maresca, as dúvidas do elenco e o futuro do clube na Premier League.
ANÁLISE
8/9/20268 min ler
O Manchester City começa uma nova fase de sua história após a saída de Pep Guardiola. Depois de aproximadamente uma década de domínio no futebol inglês, o clube terá Enzo Maresca como responsável por conduzir a equipe em uma transição que promete ser um dos grandes acontecimentos da Premier League.
A missão não será simples. Guardiola deixou um legado extraordinário, marcado por títulos, domínio nacional e uma identidade de jogo que transformou o Manchester City em uma das maiores potências do futebol mundial.
Agora, Maresca terá de construir uma nova versão dos Citizens sem permitir que a equipe perca a competitividade que marcou os últimos anos.
Manchester City volta à realidade após uma década de domínio
Durante cerca de dez anos, o Manchester City estabeleceu um padrão impressionante na Premier League. A pior posição do clube na competição nesse período foi o terceiro lugar, alcançado em apenas duas temporadas.
Além disso, o City esteve presente em todas as edições da Liga dos Campeões durante esse intervalo, algo que nenhum outro clube inglês conseguiu repetir.
Por isso, a saída de Pep Guardiola não representa necessariamente o início de uma crise. O Manchester City continua sendo um clube extremamente organizado, financeiramente forte e com enorme capacidade de gerar receitas.
O cenário, porém, é diferente.
Depois de anos funcionando em um nível extraordinário, o Manchester City terá novamente de enfrentar riscos comuns aos demais grandes clubes ingleses.
O legado de Pep Guardiola no Manchester City
A principal questão envolvendo a mudança de treinador é entender quanto do sucesso do Manchester City pode ser atribuído exclusivamente ao investimento financeiro e quanto está relacionado ao trabalho de Pep Guardiola.
O dinheiro foi fundamental para a construção do elenco, mas Guardiola conseguiu transformar esses recursos em uma equipe com uma identidade de jogo extremamente sofisticada.
Ao longo dos anos, o treinador espanhol modificou o estilo do Manchester City diversas vezes, adaptando a equipe às características dos jogadores e às mudanças da Premier League.
A última temporada ainda apresentou elementos do futebol de Guardiola, mas com uma abordagem diferente. A evolução das marcações individuais em praticamente todo o campo fez com que o City buscasse um futebol mais direto e vertical.
Mesmo sem apresentar seu melhor desempenho, a equipe terminou a Premier League na segunda colocação.
Esse resultado mostra o tamanho do padrão estabelecido por Guardiola: uma temporada considerada decepcionante ainda terminou com o Manchester City como vice-campeão inglês.
Enzo Maresca terá uma missão complicada
Enzo Maresca conhece o universo de Pep Guardiola e carrega uma formação influenciada pelo treinador espanhol.
Durante sua passagem como auxiliar do Manchester City, Maresca esteve próximo de uma equipe que já passava por diferentes transformações táticas.
Agora, terá de encontrar sua própria identidade.
O principal desafio será fazer mudanças sem que elas sejam imediatamente interpretadas como uma queda de qualidade. Assumir um time que atingiu um nível tão alto significa conviver constantemente com comparações com o antecessor.
Uma das possibilidades é que o novo Manchester City apresente um futebol mais horizontal, com maior circulação da bola e menor dependência de ataques verticais.
Isso, porém, pode gerar algumas incompatibilidades com jogadores do atual elenco.
O novo estilo pode beneficiar alguns jogadores e prejudicar outros
A forma como Maresca pretende utilizar o elenco será fundamental.
Semenyo, por exemplo, apresenta características que podem ser especialmente úteis em um Manchester City mais direto e vertical. Caso o treinador escolha uma equipe mais baseada na circulação lateral da bola, suas características podem ser menos aproveitadas.
Essa relação entre o estilo de jogo e as características individuais dos jogadores será uma das grandes histórias da temporada.
O treinador terá de encontrar o equilíbrio entre sua própria filosofia e aquilo que o elenco consegue executar da melhor maneira.
As principais mudanças no elenco do Manchester City
A mudança de treinador acontece ao mesmo tempo em que o elenco passa por alterações importantes.
Entre as saídas estão nomes como Bernardo Silva, John Stones e Nathan Aké. James Trafford também está a caminho do Leeds.
Por outro lado, Elliot Anderson chega como um dos principais reforços, em uma negociação avaliada em aproximadamente 115 milhões de libras.
O valor é extremamente elevado, mas o mercado inglês possui particularidades que ajudam a explicar cifras desse tamanho.
Ainda assim, Anderson terá de apresentar um futebol de alto nível para justificar o investimento e lidar com uma pressão muito maior no Manchester City do que aquela que enfrentava anteriormente.
Elliot Anderson pode assumir uma grande responsabilidade
A chegada de Elliot Anderson ganha ainda mais importância diante da situação de Rodri.
O espanhol começa a temporada se recuperando de uma cirurgia e existe a possibilidade de deixar o Manchester City para se transferir ao Real Madrid.
Se isso acontecer, o clube perderá uma das peças mais importantes de seu projeto esportivo.
Anderson, entretanto, não é uma substituição direta para Rodri. Por isso, Maresca precisará encontrar uma solução coletiva para compensar a possível saída do espanhol.
Rodri pode deixar um enorme vazio no meio-campo
A importância de Rodri ficou evidente nos últimos anos.
Desde a lesão do ligamento cruzado anterior, o Manchester City teve diversas oportunidades para testar diferentes formações sem o volante espanhol. O problema é que, na maioria dessas experiências, a equipe pareceu perder qualidade.
Mesmo quando Rodri retornou aos gramados, ainda estava em processo de recuperação e longe de sua melhor condição.
Uma eventual transferência para o Real Madrid deixaria uma enorme lacuna no meio-campo do Manchester City.
O clube terá de decidir se encontrará uma solução dentro do próprio elenco ou se voltará ao mercado.
Nico González e Kovacic aparecem como alternativas
Nico González pode receber uma oportunidade importante.
O meio-campista ainda não conseguiu apresentar seu melhor futebol com a camisa do Manchester City, mas existe a possibilidade de que uma sequência maior de partidas permita sua evolução.
A comparação com Rodri, naturalmente, é injusta.
O próprio Rodri precisou de tempo para se adaptar ao Manchester City. Sua primeira temporada no clube ficou muito abaixo do nível apresentado posteriormente.
Outra possibilidade é Mateo Kovacic.
Uma dupla formada por Elliot Anderson e Kovacic poderia oferecer uma solução interessante para o meio-campo, principalmente se o croata conseguir manter uma boa condição física.
Kovacic já demonstrou pela seleção da Croácia que possui capacidade para atuar em altíssimo nível.
Nico O’Reilly pode voltar ao meio-campo
Nico O’Reilly é outro jogador que pode ganhar importância no novo projeto.
Embora tenha sido utilizado na lateral esquerda, existe a possibilidade de Maresca voltar a utilizá-lo no meio-campo, posição em que atuava nas categorias de base.
Na lateral esquerda, o Manchester City também possui outras alternativas, incluindo Gvardiol e Aina.
Essa flexibilidade pode ser importante para Maresca durante uma temporada longa e com várias competições.
Reijnders ainda precisa provar seu valor
Tijjani Reijnders também está entre os jogadores que precisam dar um passo à frente.
A primeira temporada do meio-campista no Manchester City ficou abaixo das expectativas. Havia uma esperança de que ele apresentasse um desempenho mais impactante.
Apesar disso, é importante considerar que foi apenas seu primeiro ano no clube.
A nova temporada será uma oportunidade para Reijnders mostrar se possui qualidade suficiente para se tornar uma peça importante do Manchester City.
Phil Foden é uma das grandes incógnitas
Phil Foden é outro jogador que gera dúvidas.
O inglês renovou seu contrato e chegou a usar a braçadeira de capitão no amistoso contra a Inter de Milão, demonstrando que continua tendo importância dentro do grupo.
Além disso, Foden começou bem a temporada anterior.
O problema está na sequência recente de atuações.
Nas últimas temporadas, seu rendimento ficou abaixo do esperado, a ponto de sua ausência da Copa do Mundo ser considerada justificável diante de seu momento.
Por isso, apesar do talento de Foden, existe pouca segurança de que ele consiga recuperar imediatamente o nível que já apresentou pelo Manchester City.
Manchester City precisa de mais criatividade
A falta de criatividade é outra preocupação para Maresca.
O Manchester City precisa de um jogador capaz de alternar funções com Scherky e oferecer novas soluções ofensivas.
Até o momento, não existe uma indicação clara de que o clube esteja procurando esse perfil no mercado.
Ayyoub Bouaddi aparece como uma possibilidade interessante, especialmente em um cenário de saída de Rodri.
O jovem teve destaque na Copa do Mundo com a seleção de Marrocos e também chamou atenção em sua atuação contra o Brasil.
Mesmo com Rodri permanecendo, Bouaddi poderia representar uma aposta de longo prazo para o Manchester City.
Doku pode ser uma das certezas do novo Manchester City
Se existem dúvidas em algumas posições, Jeremy Doku oferece motivos para otimismo.
O belga teve um desempenho muito positivo durante grande parte da última temporada e pode continuar sendo uma das principais armas ofensivas da equipe.
Sua velocidade, capacidade de drible e agressividade no ataque podem ser importantes para o novo sistema de Maresca.
No outro lado do campo, porém, Semenyo novamente dependerá das escolhas táticas do treinador.
Em um Manchester City mais vertical, o jogador pode encontrar condições ideais para explorar suas características.
Marmoush ainda procura seu espaço
Omar Marmoush é mais uma incógnita.
O atacante ainda não parece ter encontrado uma posição completamente definida no Manchester City, o que pode dificultar sua adaptação ao novo sistema.
Uma eventual negociação também não seria simples.
O clube investiu uma quantia significativa no jogador e não existe garantia de que outro time esteja disposto a pagar um valor semelhante.
Por isso, a tendência é que Marmoush tenha uma nova oportunidade para mostrar seu valor sob o comando de Maresca.
O Manchester City terá mais riscos na Premier League
A principal mudança da nova era será a perda da sensação de invulnerabilidade que acompanhou o Manchester City durante a maior parte da era Guardiola.
O clube continuará sendo rico, organizado e capaz de atrair grandes jogadores.
Entretanto, a margem de erro tende a aumentar.
Liverpool, Arsenal, Manchester United, Chelsea e Tottenham continuam entre os clubes que podem disputar posições importantes na Premier League.
Com isso, existe uma possibilidade real de o Manchester City terminar uma temporada fora do G4 e, consequentemente, ficar sem vaga na Liga dos Campeões.
Essa situação seria impensável durante boa parte da última década, mas agora faz parte das possibilidades da nova realidade do clube.
Uma nova era começa no Manchester City
O Manchester City não deixou de ser uma potência.
A estrutura construída durante os últimos anos continua existindo e permite que o clube permaneça entre os principais candidatos aos maiores títulos.
A questão é que a era Pep Guardiola criou um padrão difícil — talvez impossível — de repetir.
Durante aproximadamente dez anos, o Manchester City esteve em um nível excepcional na Premier League. Agora, com Enzo Maresca no comando, o clube terá de encontrar uma nova identidade.
A possível saída de Rodri, as dúvidas sobre Phil Foden, a adaptação de Elliot Anderson, o desenvolvimento de Reijnders e Nico González e a utilização de jogadores como Semenyo, Marmoush, Doku e Nico O’Reilly serão alguns dos pontos fundamentais dessa transformação.
Maresca terá de equilibrar renovação e competitividade enquanto tenta evitar que a mudança de treinador seja vista apenas como uma queda de rendimento.
O Manchester City pós-Pep Guardiola entra, portanto, em uma temporada de enorme importância. Pela primeira vez em muitos anos, os Citizens terão de disputar a Premier League sabendo que não existe mais a mesma garantia de domínio.
A era Guardiola terminou.
Agora começa o verdadeiro teste para descobrir o que será o Manchester City sem seu treinador mais importante da história.
Pressão Alta | Futebol Internacional
Análises táticas e bastidores do futebol de elite europeu.
Início-Matérias-Sobre-Contato
Redação
redacao@pressaoalta.com
São Paulo & Cobertura Europeia
Atendimento comercial e pautas
© 2026 Pressão Alta | Futebol Internacional-Jornalismo tático e cobertura independente do futebol internacional.
PALCO EUROPEU - COBERTURA DE ELITE
