Xabi Alonso no Chelsea: nova chance após fracasso no Real Madrid?

Xabi Alonso no Chelsea vive novo desafio após o Real Madrid. Veja o sistema tático do treinador, os primeiros resultados e o principal problema da equipe do Xabi Alonso.

ANÁLISE

9/23/20268 min ler

Xabi Alonso no Chelsea vive novo desafio aps o Real Madrid. Veja o sistema ttico, os primeiros resul
Xabi Alonso no Chelsea vive novo desafio aps o Real Madrid. Veja o sistema ttico, os primeiros resul

Xabi Alonso no Chelsea começa uma nova etapa na carreira do treinador espanhol após uma passagem turbulenta pelo Real Madrid. Depois de conquistar a Bundesliga de forma invicta com o Bayer Leverkusen, o técnico agora tenta reconstruir sua reputação em Londres.

A chegada ao Chelsea acontece em um momento decisivo. Xabi Alonso recebeu maior autonomia no projeto esportivo e voltou a utilizar o sistema tático que marcou seu sucesso no Bayer Leverkusen. Ao mesmo tempo, os primeiros jogos já revelaram uma preocupação importante: a fragilidade defensiva.

Xabi Alonso: do sucesso no Bayer Leverkusen ao Chelsea

A trajetória de Xabi Alonso como treinador ganhou enorme destaque durante sua passagem pelo Bayer Leverkusen.

O espanhol assumiu um clube que durante anos conviveu com o apelido de “Neverkusen”, associado às inúmeras campanhas em que o time chegou perto de grandes títulos sem conseguir conquistar os principais troféus.

Xabi Alonso mudou essa história.

Sob seu comando, o Bayer Leverkusen conquistou a primeira Bundesliga da história do clube de forma invicta e interrompeu a longa hegemonia do Bayern de Munique no futebol alemão.

O trabalho transformou Xabi Alonso em um dos treinadores mais cobiçados do futebol europeu e abriu caminho para o Real Madrid.

Passagem pelo Real Madrid terminou antes do esperado

Em junho de 2025, Xabi Alonso foi contratado pelo Real Madrid para substituir Carlo Ancelotti.

Apesar de apresentar números expressivos, sua passagem pelo clube espanhol durou pouco mais de sete meses.

Foram 34 jogos, com 24 vitórias, quatro empates e seis derrotas, um aproveitamento próximo de 75%.

Os números, porém, não impediram o desgaste interno.

No Real Madrid, Xabi Alonso enfrentou problemas relacionados ao elenco, mudanças de posição, decisões disciplinares e dificuldades para estabelecer uma identidade tática definitiva.

A derrota por 3 a 2 para o Barcelona na final da Supercopa da Espanha, em janeiro de 2026, foi o ponto final de um processo de desgaste que já vinha acontecendo havia meses.

Conflitos com jogadores marcaram a passagem pelo Real Madrid

Durante o período no Santiago Bernabéu, Xabi Alonso teve alguns episódios de atrito com jogadores importantes.

Um dos casos envolveu Vinícius Júnior, após um episódio relacionado à substituição do atacante brasileiro.

Rodrygo também passou parte da temporada como reserva e demonstrou insatisfação com mudanças de posição. Federico Valverde, por sua vez, reclamou publicamente de sua utilização como lateral.

Além das situações individuais, o treinador implementou regras mais rígidas no cotidiano do elenco.

Segundo reportagem do The Athletic, Xabi Alonso estabeleceu restrições relacionadas ao uso de celulares e determinou que os jogadores viajassem juntos com a delegação para partidas fora de casa.

Essas medidas representaram uma mudança em relação à abordagem mais permissiva associada ao período de Carlo Ancelotti.

O ambiente interno ficou mais difícil, e os problemas do elenco acabaram se somando às questões táticas enfrentadas pelo treinador.

A mudança do sistema tático de Xabi Alonso

Uma das principais diferenças entre o Xabi Alonso do Bayer Leverkusen e o treinador que comandou o Real Madrid esteve no sistema utilizado pelas equipes.

No Leverkusen, o técnico espanhol ficou conhecido por uma estrutura com três zagueiros, alas extremamente ofensivos e jogadores responsáveis pela criação atrás do centroavante.

Grimaldo e Frimpong eram peças fundamentais nesse modelo.

A equipe tinha uma identidade tática bastante definida, com os alas participando ativamente do ataque e criando superioridade em diferentes setores do campo.

No Real Madrid, Xabi Alonso utilizou principalmente um 4-3-3.

A mudança pode ser interpretada como uma tentativa de adaptar sua filosofia às características do elenco madrilenho. O treinador e sua comissão técnica avaliaram que o grupo disponível poderia funcionar melhor com uma linha de quatro defensores.

Ainda assim, a alternância entre sistemas acabou contribuindo para a percepção de que o Real Madrid não havia encontrado uma identidade tática totalmente consolidada.

Xabi Alonso testou a linha de três no Real Madrid

Apesar da predominância do 4-3-3, Xabi Alonso não abandonou completamente o sistema que utilizava no Bayer Leverkusen.

Durante o Mundial de Clubes de 2025, o treinador testou uma linha de cinco defensores com dois alas.

Aurélien Tchouaméni atuou como zagueiro central ao lado de Antonio Rüdiger e Dean Huijsen, enquanto Trent Alexander-Arnold e Carreras ocupavam posições mais avançadas pelos lados.

O modelo funcionou contra o Salzburg, em uma vitória por 3 a 0.

Mesmo assim, Xabi Alonso voltou a utilizar o 4-3-3 com maior frequência durante a temporada.

Essa alternância entre os sistemas se tornou uma das questões analisadas durante sua passagem pelo Real Madrid.

Chelsea contrata Xabi Alonso para reconstruir o projeto

Em maio de 2026, o Chelsea anunciou Xabi Alonso como seu novo treinador.

O clube vinha de uma temporada bastante instável, com diferentes mudanças no comando técnico. Mesmo em meio à turbulência, a equipe conseguiu chegar às oitavas de final da Champions League, à semifinal da Copa da Liga e à final da Copa da Inglaterra.

Na decisão da Copa da Inglaterra, o Chelsea perdeu por 1 a 0 para o Manchester City.

Na Premier League, entretanto, a equipe terminou apenas na décima posição e ficou fora das competições europeias na temporada seguinte.

O cenário abriu espaço para uma reformulação.

E Xabi Alonso chegou com uma função diferente daquela que teve no Real Madrid.

Xabi Alonso ganha mais autonomia no Chelsea

Um dos detalhes mais importantes da chegada de Xabi Alonso ao Chelsea está na definição de seu cargo.

O clube o apresentou como manager, e não apenas como head coach.

Na prática, isso representa uma participação mais ampla nas decisões relacionadas ao futebol, incluindo questões de planejamento do elenco, contratações e diretrizes internas.

Essa autonomia é relevante porque foi justamente a relação entre treinador e elenco que se tornou um dos principais pontos de tensão durante sua passagem pelo Real Madrid.

No Chelsea, Xabi Alonso tem maior liberdade para implementar sua metodologia.

Com mais autoridade, porém, também aumenta a responsabilidade pelos resultados das decisões tomadas.

Chelsea reformula o elenco para Xabi Alonso

O Chelsea também realizou mudanças importantes no elenco.

Enzo Fernández deixou o clube para se transferir ao Manchester City. A saída do meio-campista ocorreu em um contexto no qual seu encaixe no sistema de Xabi Alonso era considerado uma questão relevante.

O clube utilizou parte dos recursos das negociações para reforçar diferentes setores.

Emiliano Martínez chegou para o gol, enquanto jogadores experientes como Jordan Henderson passaram a oferecer alternativas ao elenco.

Ao mesmo tempo, o Chelsea manteve jovens talentos importantes, como Cole Palmer, Estêvão e Pedro Neto.

A combinação entre jogadores experientes e jovens talentos oferece a Xabi Alonso diferentes possibilidades para desenvolver seu projeto.

Xabi Alonso recupera o sistema que funcionou no Leverkusen

No Chelsea, Xabi Alonso voltou a apostar na estrutura que o tornou conhecido no Bayer Leverkusen.

A equipe passou a utilizar uma linha de três zagueiros com alas ofensivos.

Pedro Neto ganhou uma função que lembra, em determinados momentos, o papel exercido por Grimaldo e Frimpong no Leverkusen.

A ideia é proporcionar amplitude pelos lados enquanto os jogadores ofensivos procuram espaços por dentro.

O resultado inicial foi uma equipe com grande capacidade de criação.

O Chelsea venceu Fulham, Brighton e Luton Town nas primeiras partidas e apresentou um futebol ofensivo que chamou atenção.

Chelsea sofre primeira derrota contra o Arsenal

O primeiro revés veio no clássico contra o Arsenal.

O Chelsea perdeu por 2 a 1, resultado que interrompeu a sequência inicial de vitórias.

Pouco depois, entretanto, a equipe protagonizou uma partida que resumiu muito bem as características do novo projeto de Xabi Alonso.

Na Copa da Liga, o Chelsea enfrentou o Leeds com uma equipe bastante modificada.

Entre os titulares estava Estêvão, de apenas 16 anos.

O time terminou o primeiro tempo perdendo por 2 a 0.

Xabi Alonso então promoveu mudanças importantes no intervalo, colocando Cole Palmer, Morgan Rogers, Reece James e Pedro Neto em campo.

A resposta foi imediata.

Chelsea vence Leeds por 6 a 3 em grande virada

O Chelsea conseguiu uma impressionante virada por 6 a 3.

Cole Palmer marcou duas vezes, enquanto Morgan Rogers participou diretamente da reação com quatro assistências ao longo da partida.

O resultado apresentou algumas características que lembram o Bayer Leverkusen de Xabi Alonso.

A equipe mostrou poder ofensivo, capacidade de reação e disposição para continuar atacando mesmo depois de sofrer gols.

Esse estilo pode tornar o Chelsea uma equipe muito perigosa no ataque, mas também expõe uma questão que Xabi Alonso precisa solucionar.

Fragilidade defensiva preocupa no Chelsea

Os números defensivos dos primeiros jogos chamam atenção.

Somando Premier League e Copa da Liga, o Chelsea havia sofrido dez gols em cinco partidas.

A média representa dois gols sofridos por jogo nesse período.

Depois da partida contra o Leeds, Xabi Alonso reconheceu que precisava assumir responsabilidade pela fragilidade defensiva da equipe.

O treinador chegou a testar uma linha de quatro defensores durante o jogo, tentando encontrar uma solução para o problema.

Mesmo assim, o Chelsea sofreu três gols.

A situação mostra que o principal desafio de Xabi Alonso neste início de trabalho não está necessariamente na criação ofensiva, mas na capacidade de encontrar equilíbrio entre ataque e defesa.

A comparação entre Xabi Alonso e Erik ten Hag

A situação de Xabi Alonso também permite uma comparação com a trajetória recente de Erik ten Hag.

O treinador holandês ganhou grande reputação no Ajax e chegou ao Manchester United como um dos técnicos mais valorizados do mercado.

No clube inglês, porém, seu trabalho não correspondeu às expectativas.

Apesar dos títulos de copa conquistados, Ten Hag acabou deixando o Manchester United em outubro de 2024.

Posteriormente, recebeu a oportunidade de assumir o Bayer Leverkusen justamente após a saída de Xabi Alonso.

A expectativa era de que o treinador pudesse reconstruir sua reputação na Alemanha.

O resultado foi uma das passagens mais curtas de um técnico pela Bundesliga.

Ten Hag foi demitido após apenas duas rodadas do campeonato alemão, superando o recorde anterior de cinco partidas.

A comparação serve para mostrar como a percepção sobre um treinador de elite pode mudar rapidamente quando resultados e desempenho ficam abaixo das expectativas.

O Chelsea representa uma nova fase para Xabi Alonso

Xabi Alonso chega ao Chelsea depois de viver uma situação semelhante: uma ascensão meteórica seguida por uma experiência frustrante em um gigante europeu.

No Bayer Leverkusen, ele construiu uma das equipes mais marcantes de sua carreira.

No Real Madrid, encontrou dificuldades para reproduzir o mesmo nível de desempenho.

Agora, no Chelsea, ele reúne algumas condições diferentes.

O treinador possui maior autonomia, trabalha com um elenco que inclui vários jogadores jovens e voltou a utilizar um sistema tático que conhece profundamente.

Esses fatores podem ajudar a explicar o bom desempenho ofensivo apresentado nos primeiros jogos.

O desafio de transformar bons sinais em consistência

O início do Chelsea sob Xabi Alonso apresenta dois lados bastante claros.

No ataque, a equipe demonstra criatividade, capacidade de reação e variedade de soluções.

A virada por 6 a 3 contra o Leeds é um exemplo disso.

Na defesa, entretanto, os dez gols sofridos em cinco jogos mostram uma vulnerabilidade que precisa ser corrigida.

Para desenvolver um projeto consistente, Xabi Alonso terá de encontrar um equilíbrio entre a agressividade ofensiva e a organização defensiva.

Esse equilíbrio será especialmente importante porque o sistema com três zagueiros e alas ofensivos exige coordenação e disciplina para evitar espaços quando a equipe perde a bola.

Xabi Alonso vive um momento decisivo no Chelsea

A passagem pelo Chelsea representa uma etapa importante na carreira de Xabi Alonso.

O treinador já provou seu potencial no Bayer Leverkusen, mas também enfrentou dificuldades significativas no Real Madrid.

Agora, em Londres, ele recebeu maior autonomia e voltou a utilizar o modelo que marcou seu maior sucesso como treinador.

Os primeiros sinais ofensivos são positivos, com vitórias, viradas e uma equipe capaz de criar muitas oportunidades.

Ao mesmo tempo, a defesa apresenta um problema evidente.

A capacidade de Xabi Alonso para corrigir essa vulnerabilidade sem perder a força ofensiva será um dos principais pontos de atenção ao longo da temporada.

O Chelsea oferece ao treinador espanhol a possibilidade de reconstruir seu projeto em condições diferentes das encontradas no Real Madrid.

O desafio agora é transformar uma boa sequência inicial e uma identidade tática conhecida em consistência durante toda a temporada.

Para Xabi Alonso, essa nova etapa representa mais do que simplesmente outro trabalho em um grande clube europeu: é a oportunidade de mostrar novamente a força do projeto que o levou do Bayer Leverkusen ao Real Madrid e, posteriormente, ao comando do Chelsea.